Saúde é o que importa, o resto a gente corre atrás.
Nunca essa máxima foi tão verdadeira!
O corpo padece pelas escolhas que a gente faz, pelas que deixamos de fazer e pelas que fazem por nós.
Ok, já entendi que podemos viver com a falta de tudo nessa vida, de TUDO mesmo, menos com a falta de saúde. Agora, por favor, já posso ter minha vida saudável de volta?
Dissimular Emoções Negativas
Apesar da ansiedade ser uma emoção natural, de caráter essencialmente adaptativo, quando excessiva ela pode estar na base de muitos processos que podem levar à doença.
Quando a pessoa experimenta altos níveis de ansiedade, durante tempo prolongado, seu bem estar psicológico se encontra seriamente prejudicado, seus sistemas fisiológicos podem se alterar por excesso de solicitação, seu sistema imunológico pode ser incapaz de defender seu organismo, seus processos cognitivos podem estar prejudicados provocando uma diminuição do rendimento e, finalmente, a evitação das situações que provocam essas reações ansiosas pode comprometer sua vida sócio-ocupacional.
Podemos, então, afirmar que a ansiedade é um estado de tensão interna do indivíduo no sentido da adaptação, diante de algo que o ameaça.
Há pessoas que se regozijam de saberem controlar suas emoções. Mas, o fato de não se comportarem de acordo com esses sentimentos negativos não significa, automaticamente, que não estão experimentando as tais emoções negativas. Pode não bastar a essas pessoas o controle das manifestações das emoções negativas, pois, mesmo controlando as reações de ansiedade, pode haver níveis elevados da ativação fisiológica global, de alterações do sistema nervoso autônomo, de mudanças no sistema imune, etc.
Ao invés de se imunizarem contra as emoções negativas, que seria o ideal, as pessoas que se dizem controladas, podem não estar reconhecendo os estados emocionais negativos que estão experimentando. Podem estar dissimulando a raiva, a ansiedade, o medo ou a tristeza.
As tentativas de livrar-se (dissimular) dessas emoções negativas nem sempre têm êxito, pois algumas pessoas que aparentam uma certa tranqüilidade, podem estar desenvolvendo uma alta reatividade fisiológica. São pessoas obrigadas, pelo papel social que desempenham, a dissimular sentimentos diuturnamente, mas nem por isso significa que não estão experimentando intimamente tais emoções. Ou seja, o desgaste psicossomático proporcionado pelo esforço em dissimular emoções pode ser muito alto, vindo daí o conceito popular (e sensato) de que as emoções que não são manifestadas livremente acabam eclodindo em outro lugar do organismo.
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Quando não é possível encarar a situação objetivamente, seja porque o problema não está sendo consciente, seja porque faltam recursos disponíveis à personalidade, a tendência será lançar mão de outras formas mais atípicas de enfrentamento.
A forma mental de enfrentar a situação seria, por exemplo, fantasiar, racionalizar, negar, rezar. A maneira emocional atípica de enfrentamento seria deprimir-se, agredir, culpar os outros ou culpar-se, chorar, gritar. Outras atitudes de enfrentamento atípico, seriam isolar-se, exibir-se, brincar, arriscar-se, comer, beber, transar, fumar, trabalhar, tudo excessivamente e, finalmente, de particular interesse à psicossomática, surge uma maneira somática de enfrentamento, representada pelo adoecer.
As manifestações fisiológicas e/ou somáticas resultantes do estresse adaptativo, chamadas de somatizações, podem ser entendidas como uma forma não verbal de se expressar. E quanto menos eficientes são os mecanismos mentais ou cognitivos de sentir, falar e agir, mais o sistema somático será utilizado para expressar emoções. Isso significa que quanto mais "puras" forem as emoções, menos somáticas se tornarão.
Ballone GJ - Da Emoção à Lesão - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2007.
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