30 anos! Balzac que o diga!
Mamãe disse que é uma idade maravilhosa. Ela disse que as melhores coisas da vida dela vieram depois dos 30.
Parece que foi ontem que larguei o peito da minha mãe com apenas 3 meses, pois já nasci odiando beber leite.
Parece que foi ontem que eu caí da pia e levei pontos no primeiro dia de trabalho da minha mãe, no seu tão sonhado concurso público.
Parece que foi ontem quando meu pai tirou as rodinhas de bicicleta e eu fui.
Parece que fora ontem os pesadelos e mamãe não deixava dormir na cama dela. Aí eu levantava devagarinho e colocava meu colchãozinho no quarto deles. Quando acordavam, eu estava no chão, no pé da cama.
Parece que foi ontem que eu chegava da escola e a mesa estava toda posta, pois vovó fazia questão.
Parece que foi ontem que fiquei mocinha e minha mãe saiu contando para todo mundo. Eu queria ficar uma semana sem sair de casa.
Parece que foram ontem as tardes de sábado nos encontros da mocidade espírita. Como eu tinha medo da mediunidade. Pedia a Deus que não me deixasse ver, nem ouvir, nem sentir nada.
Parece que foram ontem as matinês, os trabalhos de escola, os namoros escondidos.
Parece que foram ontem as trapalhadas da primeira vez.
Parece que foram ontem os sermões do meu pai, a cada vez que uma adolescente do bairro engravidava.
Parece que foram ontem aprender a dirigir na Parati quadrada do meu pai, com o namoradinho todo paciente, coitado. Até que eu peguei a CNH e quase enfiei o carro no muro da estação de trem. Meu pai brigou comigo e eu travei. Estou travada até hoje.
Parece que foi ontem meu nome na lista de aprovados do vestibular da UERJ. Fiz um período, tranquei a matrícula e fui trabalhar. Meus pais queriam me matar.
Parece que foi ontem meu nome no
Diário Oficial da Prefeitura de Nova Iguaçu, convocada para o concurso
da EMLURB. Meus pais queriam me abraçar. Daí vieram inúmeros concursos,
mas ainda não vi meu nome no Diário Oficial novamente.
Parece
que foi ontem a faculdade de Administração de Empresas, professores e
amigos maravilhosos, as loucuras do Projeto Final e Monografia. Um ano
sem finais de semana, regados a ansiedade e noites sem dormir. Conclusão:
o melhor projeto do ano e um convite para transformar a monografia em
artigo. Você aceitou? Nem eu. Arrependo-me, poderia estar agora no meio
acadêmico.
Parece que foi
ontem que decidi sair da casa dos meus pais sem casar. Nunca fiz questão
do vestido de noiva e do contrato assinado. Algumas brigas e ranger de
dentes depois, eu estava na minha casa.
Não parece, FOI ONTEM que entrei na minha casa própria e aqui estou, após o fim de um casamento de 5 anos.
Mãe, ninguém me chama de mãe, mas eu tenho maior orgulho de te chamar de mãe.
É pai, sua little girl, agora little woman. Pequenina ainda, aprendendo a ser uma grande mulher.
Não tenho mais medo de dormir sozinha, ainda bem, rs. Meu único medo é que meus sonhos não se realizem.
Muitas, muitas lágrimas no dia de hoje. Filhas de Oxum são assim mesmo! Duronas por fora e molengas por dentro.
Naná, agora 3.0 e com TPM - 29/07/2012


2 comentários:
Pare, releia este excelente texto e veja que história maravilhosa!
Ainda tem muita coisa a escrever.
Um beijo.
Tenho mesmo! Que Deus me guie e que eu tenha sempre pessoas maravilhosas ao meu lado.
Obrigada!
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