3 de março de 2013

Olhos nos olhos

Assistindo a um documentário sobre Chico Buarque, no canal fechado GNT, deparo-me com ele e esses olhões azuis, um cigarro na mão, um violão e a letra dessa música. É, realmente o cara tem alma feminina.

Ahã, quero ver o que você diz.


Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci.

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.

Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.




Vamos à luta!

Eu realmente recomendo a leitura do livro Perdas & Ganhos, principalmente para quem está atravessando a linha tênue da tristeza x depressão. E também, para quem já passou pela tristeza e busca a felicidade em si próprio.
Porque realmente tudo depende de quando e como você me vê passar.

 O grande pessimista colhe todas as notícias ruins do jornal e manda aos amigos cada manhã; acha que o ser humano não presta mesmo, o mundo é mero palco de guerras e corrupção. 
O excessivamente otimista acha que a realidade é a das telenovelas e dos sonhos adolescentes, das modas, das revistas, da praia, do clube. O sentato (não o sem graça, não o chato) sabe que o ser humano não é grande coisa, mas gosta dele; que a vida é luta, mas quer vivê-la bem; que existem - além de injustiça, traição e sofrimento - beleza e afetos e momentos de esplendor. Que se pode confiar sem ser a toda hora traído por quem se ama.
Posso ser um pessimista essencial, por natureza ou formação ou circunstâncias. Posso porém estar apenas deprimido.
Para sair de uma fase depressiva há mil recursos à disposição de qualquer pessoa. Terapia, uma bela caminhada, um novo amor, pintar o cabelo, jantar num lugar delicioso, mudar de lugar os vasos do jardim, ver o que acontece nas artes. Ler, refletir, observar o dentro e o fora. Comprar um cachorro, ir ao futebol, planejar uma viagem (pode ser só até ali). Tentar aproximar-se da arte, qualquer que ela seja. Renovar interesses e afetos, cultivá-los.
Mas se eu curto a minha depressão ou minha visão negra de tudo, se com isso pretendo chamar a atenção dos outros ou puni-los (ou a mim mesmo), posso optar pelo eterno descontentamento. Aos poucos ficarei segregado do círculo dos que são os vitais amantes da esperança.

Lya Luft


24 de fevereiro de 2013

Chão de giz

Uma das mais belas músicas da nossa MPB. Impossível não me emocionar quando escuto.


CHÃO DE GIZ - Zé Ramalho
 
Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um chão de giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar

Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!

Freud explica...

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom

Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...

No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais...


Ciquenta tons de cinza

Acabei de ler o tão falado best seller, que levou a mulherada à loucura.
Particularmente, não que o livro seja ruim, mas está longe de ser um best seller. 
A estória é fraca e realmente só vendeu pela putaria.  Os personagens até são fortes, com características marcantes, mas muitas coisas são repetitivas e as que deveriam ser mostradas não são. 
O livro tende a imputar uma timidez forçada na personagem Anastasia. O leitor já entendeu que ela é tímida no primeiro capítulo! Achei desnecessário nos enfiar isso goela abaixo durante todo o livro. Além do mais, ela tem 20 anos, pode ser tímida, virgem, mas não é mais uma menininha. Em contrapartida, li um livro enorme e não sei porque o Mr. Grey é maníaco por controle. Vou ter de ler toda a triologia para saber, provavelmente.
Eu não vejo prazer nenhum no sadomasoquismo, portanto me desagradou muito ler que a Anastasia estava levando uma surra, mais de uma vez. Não sei como a mulherada achou tesão nisso! Prazer e dor para mim, definitivamente não combinam. Enfim, gosto não se discute.
Agora o lado romântico de Mr. Grey é fenomenal! Talvez seja isso que me faça ler os outros livros. Vamos combinar também que, é muito fácil ser o tipo romântico aos extremos sendo podre de rico.
O livro tem passagens de sexo bem quentes realmente, mas sinceramente novidade nenhuma, a não ser o sadomasoquismo, que já coloquei minha opinião. Eu acho que tem muita mulher mal resolvida na cama (não por culpa delas), por isso que gostaram tanto desse livro.
Agora é fato que a mídia, principalmente o facebook, passou uma imagem errada sobre o livro. Anastasia não se entrega às loucuras sexuais de Mr. Grey em troca dos bens materiais que ele oferece. Não mesmo! Ela recusa todos, aceita por exigência dele. E no fim do livro, devolve-os.
É o seguinte: o que tem demais ser presenteada pelo namorado? E se ele é rico, é óbvio que vai te presentear com coisas caras. O que tem demais nisso? Cada um presenteia conforme suas condições.
Eu aviso: se terminar não devolvo, rs.
















10 de fevereiro de 2013

Carnaval

































Skindô, skindô!
É tempo de cair na folia... ou não.
Carnaval é fantástico! Sol, praia, luzes, coloridos, paetês, porpurinas, confetes, risos, exageros.
Cresci nos blocos, no carnaval de rua. Amo o samba! Guardo comigo o sonho de desfilar em uma escola de samba.
Lembro até hoje da fantasia de bruxinha! Meu pai teve o trabalho de fazer a vassourinha com capim queimado, rs.
Enquanto todo mundo queria viajar, eu queria ficar e pular o carnaval. Parece que hoje o carioca está entendendo que tem coisa bem mais divertida do que longos engarrafamentos.

"O jardineira por que estás tão triste, mas o que foi que lhe aconteceu"?

"Bandeira branca amor, não posso mais, pela saudade que me invade, eu peço paz".

Carnaval, I miss you baby.















5 de fevereiro de 2013

Sonho meu...

"Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado".

Sonhos podiam ser igual à programação da TV. Sim, você pegaria o controle remoto e escolheria qual sonho gostaria de ter essa noite.
Eu estaria em uma praia de mar calmo, molhando os pés na beirinha...
Depois me sentaria, ainda na areia, para assistir o pôr-do-sol. Elevaria meu pensamento à Deus e ele enviaria um amigo de luz.
Com um sorriso tranquilo, ele afagaria meu rosto, secaria minhas lágrimas e seguraria minha mão.
Após um abraço apertado, ele sussuraria em meu ouvido: - Irmã, tenha calma. Tudo vai dar certo.

Será que temos para hoje?



4 de fevereiro de 2013

É isso!

Primeiro, não queremos perder. 
Segundo, perder dói mesmo.
Não há como não sofrer. É tolice dizer "não sofra, não chore". A dor é importante, também é o luto - desde que isso não nos paralise demasiado por demasiado tempo para o que ainda existe em torno de nós. (E quem sabe qual é a dose de tempo?)
Terceiro, precisamos de recursos internos para enfrentar tragédia e dor.
O apoio dos outros, o abraço, o ouvido e o colo, até a comida na boca são relativos e passageiros. A força decisiva terá de vir de nós: de onde foi depositada a nossa bagagem. Lidar com a perda vai depender do que encontremos ali. (Concordo em gênero e número. Vamos sofrer minha gente, mas sem a síndrome do coitadinho. Tenho repugnância de coitadinho!)
A tragédia faz emergir forças insuspeitadas em algumas pessoas. Por mais devorador que seja, o mesmo sofrimento que derruba faz voltar a crescer.
Para outros, tudo é destruição. No seu vazio interior sopra o vento da revolta e da amargura. A perda os atinge como uma injustiça pessoal e uma traição da vida.

Nesse debate sobre perdas observei como lidamos mal com a dor uns dos outros. Entre nós de momento estar alegrinho e parecer feliz é quase um dever, uma questão de higiene, como tomar banho e estar perfumado.
Mas às vezes a gente tem de se permitir sofrer - ou permitir que o outro sofra. (Para os que vivem dizendo que eu preciso me permitir... estou me permitindo!)
Todos nós, amigos, família, terapeutas, médicos, sentimos duramente nossa própria limitação quando alguém sofre e não podemos ajudar. Em certos momentos, é melhor não tentar interferir, apenas oferecer nossa presença e atender se formos chamados. Que o outro saiba que estamos ali.
Mas não (se) permitir o prazo normal de dor é irreal.
Quando é hora de sofrer não teremos de pedir licença para sentir -  e esgotar - a dor. (Eu não gosto de nada pela metade. Sempre esgoto as possibilidades.)


Já disse aqui, que me tornei fã de Lya Luft depois que li esse livro - Perdas & Ganhos.
Pois é, é isso.