28 de outubro de 2011

Sossego

Lia chega a casa com a noite já bem posta. Cansada, tira seu salto alto e pensa no seu banho. Não surpreendentemente, um turbilhão de reclamações, vozes altas e às vezes, até discussões vão adentrando sonoramente sua mente. Nessas horas, Lia gostaria de ser abduzida.
Hoje, em seu dia de folga, Lia acorda antes mesmo das 7 da manhã e soluça sentindo uma enorme saudade de sua cama, seu lar, seu sossego, etc, etc, etc...
Lia pensa que o mundo podia parar só um pouquinho para ela poder descer.
Ei, senhor motorista! Lia quer descer em Marte, por favor. Ouviu dizer que lá pode-se unir sossego a paz de espírito.

25 de outubro de 2011

Noite Difícil

Noite difícil essa hein Lia!
Difícil encarar a realidade assim, bem de pertinho, não é mesmo?
Sensação de todos olhando e sentindo pena. Jamais imaginei que Lia fosse digna de pena!
E Lia que sempre foi tão forte e com estima elevada, agora não sabe como lidar com tantos olhares investigativos.
Lia só tem a certeza de que odeia qualquer coisa que remeta a "coitadinha (o)".
Lia sente um enorme conflito entre ouvir a esperança ou ceder para o desapego.

21 de outubro de 2011

O fim do começo


E foi na tarde de um domingo chuvoso que, atendendo a pedidos, Lia colocou suas malas no carro e foi embora.
Motivos? Muitos, só não se sabe quais.
Lia pega o caminho de ida e se perde no de volta. Um filme passa em sua cabeça, enquanto observa a chuva molhar as flores.
No dia seguinte, Lia acorda da noite que não dormiu, e deixa a água cair pelo seu corpo enquanto uma lágrima corre. Não acha suas roupas, tampouco seus sapatos. Lia é uma estranha no ninho.
Tenta descobrir onde foi que se perdeu, mas decide que nada disso adianta! É preciso seguir, pois “num dia a gente chega e no outro a gente vai embora”.  
Apesar de cansada, Lia sente-se tranqüila. Enfim, pôde fazer as pazes com sua consciência, pois esta era a sua mais severa juíza.
Nesse momento, espera um pouco do nada. As forças virão de sua natureza determinada e da sua fé. Sabe que tudo acaba bem, quando se está bem. Se não estiver bem, é porque ainda não acabou.

20 de setembro de 2011

Desprezo - arma letal

Descobri que o desprezo é o pior dos sentimentos. Muita gente diz que é a inveja, ou o ódio. Creio que não.
A inveja e o ódio só prejudicam aquele que os sente. Além do mais, a criatura que souber praticar o perdão, pode perdoar o ódio e a inveja de outrem, mas o que dizer do desprezo?
O desprezo é justamente a ausência de sentimento. Não se sente nada: nem ódio, nem amor, nem inveja, nem amizade, nada! E não tem solução, porque ninguém é obrigado a sentir nada pelo outro (teoricamente né, pois Deus disse "amai ao próximo como a ti mesmo"). Como culpar alguém que não fez nada de ruim, mas simplesmente não está a fim de fazer nada de bom?
Eu torço para que o desprezo não caia no gosto popular, pois caso o ser humano descobra que o desprezo faz sofrer mais do que quaisquer dos sentimentos ruins, desprezo vai virar uma arma letal.
Sempre tive pais super presentes, responsáveis, zelosos, que me ensinaram a ser uma pessoa de bem e moldaram o meu caráter, mas nunca tive amor em sua plenitude. Não que eles me desprezassem, de maneira nenhuma, mas sempre recebi de meus pais muita cobrança no lugar de carinho, e é assim até hoje. De certa forma até entendo, pois nos dias de hoje, quais são os pais que não têm medo de fracassar na educação de um filho? 
Em momentos de falta de carinho, sempre o colo veio da minha avó, que não se encontra mais no plano material. E hoje, em momento de desprezo, a quem pedir colo?
Meus pais estão muito preocupados em continuar me cobrando para que eu seja uma filha que toda a sociedade aprove. Meus amigos (sim, tenho alguns poucos que seriam capazes de me acolher sinceramente) não sei se seria uma boa idéia incomodá-los,  afinal de contas "o tempo não pára". Não pára nem para mim e nem para eles. Eu estou muda e eles surdos.
Falando em tempo, todo mundo diz que o tempo é o melhor remédio, mas aí ninguém diz a posologia. Afinal, quantas "doses" homeopáticas de "tempo" eu devo tomar, para esses sintomas passarem? Vou ficar realmente curada?

3 de agosto de 2011

Preta Gil

Não dava nada por ela! Sempre achei que ela fosse mais uma "porra louca" na vida!
Recentemente, me chamou a atenção o posicionamento dela em relação à polêmica gay, quando encarou a mídia, políticos poderosos e manteve, mesmo assim, o seu posicionamento. Achei interessante.
Como cantora, não sei se o talento é tão grande, mas o show é maravilhoso, muito animado!!!! Ela faz o público "tremer"! Bom, não errei na parte do "porra louca", pois isso ficou bem claro no show.
Hipocrisia, às vezes é um mal necessário, mas vamos combinar?  Sou uma admiradora da autenticidade!


STEREO

Só vou te contar porquê você ja é de casa
Eu tenho um lado doce que quase ninguém vê
Se dou festa, trato bem até quem chega de penetra
Quem me beija não consegue me esquecer...

Tudo me interessa
Tudo tem mistério
Sou devota da paixão
Menina e menino
Pego em estéreo
Mas não venha grudar, não

Ja tá totalmente sem noção
Ligar de madrugada pra me aborrecer
Depois de me ganhar você quer me perder

Eu ponho quem eu quero aqui no meu colchão
E se não me abalou eu trato de esquecer
É que eu também sou feita de deixar de ser

Só vou te contar porquê voce ja é de casa
Eu tenho um lado doce que quase ninguém vê
Se dou festa, trato bem até quem chega de penetra
Quem me beija nao consegue me esquecer...

Tudo me interessa
Tudo tem mistério
Sou devota da paixão
Menina e menino
Pego em estéreo

Mas não venha grudar, não.



24 de julho de 2011

Caldeirão do Huck

Não sou a favor do assistencialismo, essa coisa de "dar o peixe e não ensinar a pescar", não sei não... 
Dentro dessa linha, odeio esses programas de televisão e reportagens que se aproveitam das dificuldades das pessoas para ganhar audiência. Ou os atores, que dizem que já passaram dificuldades, fizeram isso ou aquilo para sobreviver, blá, blá, blá... Ora, ora, quem não passa dificuldades nessa vida?
Agora existe um cara que eu admiro, pois ele soube fazer serviço social na TV e não assistencialismo. É o Luciano Huck. Sinceramente, não sei como ele é na vida pessoal, mas acho um profissional maravilhoso. Ele, através do quadro Lar Doce Lar, proporciona a realização de um sonho para as pessoas, mas as fornece instrumentos para que possam continuar vivendo esse sonho. Geralmente ele reforma a casa e incentiva a geração de renda para as pessoas continuarem se mantendo, através de algo que elas já façam ou possam fazer. Tudo isso, através de parcerias com empresários, pois ninguém é papai noel e não dá para mudar o mundo sozinho.
E quanto a audiência? É claro que se pensa na audiência, afinal ninguém entra em um negócio que não seja "lucrativo". E quem disse que marketing social, responsabilidade social, emrpresa solidária e etc. não foram "inventados" para agregar valor as empresas e gerar lucro? Ledo engano... mas pelo menos que alguém saia ganhando com essa história. Alguém além dos empresários e do governo. E é isso que eu acho que o Luciano Huck tenta fazer.
Outro dia, tomei conhecimento que ele também ajuda em um projeto de recolocação profissional de ex-presidiários. E tantos outros projetos que não são divulgados, pois os próprios parceiros dizem que ele não gosta de divulgar tudo o que faz. Admirável criatura!
E falando em Lar Doce Lar, outro dia assistindo o quadro, vi uma família (uma mãe e duas filhas adolescentes), que sobreviviam com R$ 300,00 que a mãe ganhava. Apesar disso, as meninas estudavam, uma fazia aula de violino inclusive. A casa era arrumada, na medida do possível e elas tinham dentro de casa um quadro, onde escreviam as metas que gostariam de atingir na vida. O que mais me impressionou, foi saber que as  meninas nunca, eu disse nunca, tinham saído para comprar roupas. E a gente ainda reclama da vida...

Preciosa

Estive vendo o filme Preciosa e ele é realmente uma verdadeira história de esperança e superação de limites, para todos nós.
Meu amigo já havia me indicado este filme a algum tempo, mas só agora tive a oportunidade de assisti-lo. Ele também fez um post em seu blog sobre o filme e realmente não tem como deixar de comentar.
É realmente uma preciosidade! Aliás, não é não! É um tapa na cara dos americanos e do seu "american way of life". Os americanos adoram fazer filmes nos quais eles são os salvadores do mundo. Não só na ficção, mas eles  realmente acham que são os donos do mundo. 
Na verdade eu acho que o filme é um tapa na cara de todos nós. Nós, povo brasileiro, que cultuamos o estrangeiro e achamos que só aqui é que existe AIDS, estupro, criança carente, mendigo, preconceito... Lá fora é tão maravilhoso, não é mesmo? Pois é, ao assistir o filme "O capitalismo - uma história de amor"  torna-se bem fácil entender,  como os EUA se tornaram um país de primeiro mundo. Com certeza vai dar vontade de mandar o "american way of life" para aquele lugar.