Não tenha filhos. Foi o que eu disse a uma amiga de 39 anos, linda, bem-sucedida e em crise no casamento. Explico. Ela sempre sonhou rodar o mundo. Estudar línguas. Escrever livros, fazer mestrado, correr a São Silvestre. É curiosa, desbravadora e tem dúvidas. Não sabe se quer morar no Brasil, se vai mudar de profissão, se seu desejo é namorar o marido e não estar casada. Tem o coração mais irrequieto, rebelde e desbravador que conheço. Só que três vezes por semana, de três pessoas diferentes, ela escuta as perguntas: "E pra quando é o herdeiro?", "Vocês não vão engravidar?", "Não falta um neném?". Não, não falta. E eu sou a mãe mais coruja e apaixonada do mundo. Minha vida se encheu de cor por causa do Miguel, mas eu continuo empunhando a bandeira: mulheres não são reprodutoras. Mulheres são muito mais do que isso. Uma mulher pode ser completa sem ser mãe? Lógico! Ela nasceu assim, um ser humano inteiro. A maternidade é uma linda jornada, mas quantas outras existem para um ser humano? Filho deve ser sonhado, ansiado, recebido com prazer. Não pode ser recibo para a sociedade. Não é justo. Isso só gera frustração: crianças entregues a babás e pais infelizes, cheios de tédio. Quantos você conhece assim?
Clarissa Monteagudo
Texto de uma colunista do Jornal Extra, que achei vagando pelo facebook, numa página feminista. Não que o texto seja necessariamente feminista, pelo contrário, ele traz uma ótima reflexão da sociedade e um apelo social fortíssimo.
No mundo fantástico e perfeito dos contos de fadas e também na música do Luan Santana, tem que ser "eu, você, dois filhos e um cachorro." O cachorro, geralmente quando dá muito trabalho, logo se livram do pobre animal. Os dois filhos são criados por avós, babás e jogados para a escola ensinar o que deveria ser ensinado em casa. O eu e você? Ahhh, o eu e você dura muito pouco desse jeito...
É um tal de ter filho para salvar casamento, filho porque o marido quis, porque a esposa quis, porque a família pressionou, porque já estava ficando velha... não sociedade, EU NÃO SOU OBRIGADA!
Nunca escondi o grande sonho de ter um filho, mas tampouco aceito receber pressão em relação a isso. É a jornada espiritual de ser mãe que me encanta e não satisfazer a ninguém! Apesar de ser um grande desafio espiritual, sabe-se que ter um filho demanda uma série de abdicações e investimentos, inclusive financeiros, portanto impossível ter um filho porque simplesmente "está na hora".
Clarissa Monteagudo sabe das coisas! O que vemos por aí são "pais infelizes e cheios de tédio". Acredito que um filho inesperado abala menos a relação de um casal, que o filho do "está na hora", porque o filho inesperado muitas vezes desperta nos pais a necessidade de ir a luta, de progredir, de unirem-se. Já.o filho do "está na hora" vem para cumprir uma cobrança e/ou preencher um vazio, sendo que é praticamente impossível fazer com que um ser que necessite de tanto amparo, dedicação e abdicação, faça um milagre na vida amorosa de um casal.
E sim, sou completa! Sonho o sonho sonhado de ter um filho, mas se não for possível, eu não vou deixar de plantar uma árvore e nem de escrever um livro. "A maternidade é uma linda jornada, mas quantas outras existem para um ser humano"?

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