Felizes para Sempre, minissérie da Globo, conseguiu despertar um turbilhão de sentimentos nos espectadores: raiva, pena, tesão, tristeza, alegria, perplexidade e por aí vai... ter que encarar o que preferimos esconder.
Vale muito a pena deixar os "eu acho" de lado e assistir a minissérie com olhos de ver. Ambientada em Brasília, já nos deu a oportunidade de observar um cenário incomum nas produções globais. Explica-se perfeitamente o porquê de Brasília, melhor lugar para abordar a corrupção não há!
Há quem diga que "era muita putaria". Imagens e tramas apelativas sim, mas nada que não faça parte do cotidiano das pessoas. É que temos a mania de varrer para debaixo do tapete nossos (nossos sim! meu, seu, de todo mundo!) piores pecados.
Levante a mão quem nunca esteve em crise no casamento, apaixonado loucamente por alguém "politicamente incorreto", que nunca teve um filho rebelde, que nunca cometeu erros passados, que nunca foi corrompido, que nunca se deixou levar pelas drogas, que nunca engravidou indesejadamente, que nunca traiu, que nunca foi traído. Óbvio que muitos não vivenciaram todas essas situações (ainda bem!), mas por alguma delas, certamente vários já passaram. Não estou aqui fazendo apologia ao erro, mas já pensou sobre como seria a sua reação perante alguma dessas situações?
Cada personagem na série, vivia uma grave crise familiar e até mesmo de identidade. Por exemplo, o que se é capaz de fazer por amor ou desamor? A trama aborda inicialmente um casal, com sexo desgastado por motivos graves e outros nem tão graves assim, que tenta resgatar o tesão mútuo através do menage. Enquanto criticamos o menage, centenas de casais sérios, felizes e iguais a nós, fazem isso de uma forma respeitosa, sem traição e talvez tenha o casamento mais bem sucedido do que muitos que estão por aí, julgando a tudo e a todos.
Dentre inúmeras crises, em várias gerações de uma família, foi possível confrontar na minissérie várias situações:
- Jovens pensam que vão mudar o mundo e isto de certa forma, é saudável. Saudável enquanto eles não descobrem que até os super-heróis podem ser corrompidos.
- Casais vivem bem sem filhos, não há essa obrigatoriedade de ter filhos para ser feliz.
- É preciso saber conciliar carreira e família, uma não pode competir com a outra.
- Perdoar uma traição é para os fortes. E se for para perdoar, tem que ser no todo, pela metade não funciona.
- É possível amar tanto uma pessoa, a ponto de assumir um filho que não se tem a certeza de que seja seu.
- Pai é realmente quem cria, ama, educa. No fim das contas, o DNA pode não fazer a menor diferença.
- Deslizes acontecem nas melhores famílias.
- A velhice nem sempre traz a maturidade, o tal saber de tudo.
- As pessoas apaixonam-se e o coração não escolhe a quem.
- É muito difícil livrar-se de um vício.
- O dinheiro faz toda a diferença, mas realmente não compra o amor.
- Ao cometer um erro, é melhor assumi-lo. Varrer para debaixo do tapete, pode ser a melhor solução momentânea, mas o futuro se encarrega de no presente, trazer à tona o passado.
Enfim, muito emocionante foi a cena final: a matriarca da família vendo antigos vídeos caseiros familiares, com depoimentos de toda a família sobre união, educação, base, amor, carinho, respeito e ela se sentindo totalmente fracassada ao assistir a narrativa mentirosa. De tudo que ela construiu, quase nada era verdadeiro. Tomara que essa sensação não se multiplique por aí. Tomara que, mesmo tendo que tomar decisões incompreendidas e criticadas pela sociedade, possamos viver os sentimentos puros e verdadeiros, sejam eles quais forem.





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