17 de fevereiro de 2014

Loteria

Ás vezes penso que tudo não passa de uma roleta russa. Um xeque-mate.
Outras vezes, prefiro usar o eufemismo e achar que tudo é uma grande loteria. Existem os que nasceram com a "bunda para a lua", existem aqueles que acertam uma grande e única tacada e existem aqueles que são viciados: jogam toda semana e nunca ganham nada. Não tem certo e nem errado nesta história. Simplesmente a sombra não é para todos. O sol sim, o sol está aí! Aliás está tão quente que tem um sol para cada pessoa. Espiritualmente isso se explica e muito bem. Materialmente, nada e nem ninguém vai fazer você entender isso. E eu, como sou ainda muito atrasada, ainda tropeço na minha estrada de pedras e fico sem entender o porquê.
Uma personagem de Aruanda (Robson Pinheiro, por Ângelo Inácio), ao ser interpelada por alguém que diz que, é preciso muita renúncia para deixar o plano de vida com o qual você sintoniza e trabalhar nas esferas mais densas, responde:
- "Estamos apenas treinando o desapego para que algum dia possamos amar de verdade..."
Desapego, esta é a palavra! Nunca acreditei em amor, digo mais, em felicidade sem desapego. Isso já entendi perfeitamente e faz tempo. Mas como é difícil o tal do desapego!
Difícil aceitar que certas coisas não são para você. Pelo menos, não nesse momento, talvez nunca sejam. Como somos imediatistas! Como somos teimosos! E a ansiedade domina, a dor no peito penetra, a insônia desequilibra, porque simplesmente a coragem se vai e o medo domina... Bem assim, ausente, presente e recorrente, lá vamos nós numa nova crise de ansiedade. E volto a pensar num passado que viverei e num futuro que viveria.

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