Amigos, dia 02/08/2009 fui fazer a prova do concurso da UFRRJ. Saí cedo de casa, afinal a prova era no campus da Rural em Seropédica e como eu supunha muita gente perdeu a prova pq não conseguiu chegar naquele fim de mundo. Ainda bem que pude contar com a carona de meu marido. Chegando no campus ainda rodamos muito até achar o prédio da prova onde detectamos que não havia nem água para beber! Entrei para fazer a prova psicologicamente abalada de sede e fome e a sala não tinha ventilador e aqueles malditos mosquitos... mas o que não se faz por uma prova de concurso. Saí da prova com sede, fome e dor de cabeça e apesar disso esperava ter tido um desempenho melhor, mas alguma coisa de muito boa ficou comigo naquele dia: era um texto que estava na prova de português e eu vou postá-lo. "Para alma, aquilo que é imaginado existe." Ai, ai...
A difícil arte de ser feliz
Não deixe que o medo do futuro interfira em sua felicidade e desfrute os momentos presentes com novos olhos
Você me pede que eu fale sobre a difícil arte de ser feliz. Digo primeiro que não é possível ser feliz. Felicidade é coisa muito grande. O máximo que os deuses nos concedem são momentos de alegria que, segundo Guimarães Rosa, acontecem em “raros momentos de distração”.
Ás vezes a gente fica infeliz por causa de coisas tristes: perde-se o emprego, uma pessoa querida morre... Quando coisas assim acontecem, o certo é ficar triste. Quem continuar alegre em meio a situações de dor é doente. Alegria nem sempre é marca de saúde mental. Há uma alegria que é marca de loucura.
Mas às vezes a nossa infelicidade se deve à nossa estupidez e cegueira. Cegueira: isso mesmo. Olho bom que não vê. Jesus diz que os olhos são a lâmpada do corpo. Quando a lâmpada espalha luz, o mundo fica colorido. Quando a lâmpada espalha escuridão, o mundo fica tenebroso.
Você diz que é infeliz porque tem medo do futuro. Eu também tenho. A Adélia Prado tem um verso em que diz que o Paraíso vai ser igualzinho a esta vida, tudo do mesmo jeito, com uma única diferença: a gente não vai mais ter medo. Imagine que o presente é uma maçã madura, vermelha, perfumada, deliciosa. Você se prepara para comê-la, mas, de repente, percebe que dentro dela há um verme. O nome dele é medo. De onde ele vem? Do futuro. Estranho isso: o futuro ainda não aconteceu. Ele não existe. Como é que um verme pode nascer do que não existe? Não existe do lado de fora. Existe do lado de dentro. Dentro da imaginação o futuro existe. O verme nasce da alma. Para a alma, aquilo que é imaginado existe. Como diz Guimarães Rosa: “Tudo é real porque tudo é inventado”. A alma é o lugar onde o que não existe, existe. Nossa imaginação perturbada enche o futuro de coisas terríveis que assombram o presente. Pode ser até que essas coisas terríveis venham a acontecer. Por isso eu também tenho medo. Mas o certo é viver a sua dor no momento em que ela vier, e não agora, quando ela não existe.
Jesus diz que sabedoria é viver apenas o dia presente. “Por que andais ansiosos pelo dia do amanhã? Olhai os lírios dos campos... Olhai as aves dos céus... Qual de vós, com sua ansiedade, será capaz de alterar o curso da vida?” Os lírios do campo serão cortados e morrerão. Também as aves do céu: o momento da sua morte vai chegar. Mas os lírios e as aves não vivem no futuro; vivem no presente. O fato é que aves e lírios vão morrer, mas não sabem que vão morrer. Nós vamos morrer e sabemos que vamos morrer. Em nosso futuro mora um grande medo. É desse grande medo que vem o verme...
Estória Zen: Um homem caminhava por uma floresta. Anoitecia. Escuro. De repente, o rugido de um leão. O homem teve muito medo. Correu. No escuro não viu por onde ia. Caiu num precipício. No terror da queda agarrou-se a um galho que se projetava sobre o abismo. E assim ficou pendurado entre o leão e o vazio. De repente, olhando para a parede do precipício, viu uma plantinha e, nela, uma fruta vermelha. Era um morango. Ele estendeu o seu braço, colheu o morango e o comeu. Estava delicioso... Aqui termina a estória. E preciso ter olhos novos. Olhos que vejam os morangos à beira do abismo...
Carpe Diem!
Rubem Alves
E eu, e vocês, vai um morango aí???
4 comentários:
Muito legal o texto .
Agora sério to rindo aqui sozinha do meu nível de loucura rsrsrs . Loucaaaaaaaaaaa vc tb tem um blog , eu pateta recebia seus textos atraves do meu gmail e pensava assim : Nossa a NAIARA TÁ INSPIRADA rsrsrs Mais nunca , nuncaaaaaaaaa imaginei q os textos eram do seu blog , entao ao invez de comentar AQUI eu loucaaaaaaaaaaa mandava resposta p/ o seu emai rsrsrsrs...
A culpa tb é sua tá ?!!!!! Vc tinha q comentar q tem um blog rsrsrsrs..
Bjos agora não saio mais daqui rsrsrs
Naiara
O medo realmente é um dos nossos maiores inimigos. Tenho lutado contra ele por anos e sei que muito que ainda não consegui é exatamente por conta dessa pedra no sapato.
Maravilha o texto! Bom ter sempre a mente focada e seguir.
Paz
E que pedra no sapato né??? rsrsrsrs... é medo é meu inimigo nº 1 também.
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